terça-feira, 22 de novembro de 2016


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UM NOVO ESCAMBO À VISTA
(Escrito em 21/11/2016)




Aviso meu, particular, aos cientistas de plantão: talvez seja preciso mudar alguns estudos sobre nossas necessidades humanas. É que viver está tão difícil que amigo pra gente conversar está se tornando necessidade primária, junto com o rol das nossas premências fisiológicas de respirar, comer, dormir, o basicão. Sei não, mas parece estar se aproximando um tempo em que vai ter ser humano trocando um bom prato de cuzcuz marroquino bem incrementado por 4 dedos de prosa com algum amigo do peito... Se houver vinho de acompanhamento, pode ser que o escambo envolva confidências mais agudas e avassaladoras. Estou rindo, mas é de chorar...

VALEI-ME!

(escrito em 21/11/2016, a propósito da notícia de que o BB vai fechar 402 agências e aposentar 18 mil funcionários))

Diria mamãe em alto e bom som: "Nossa Senhora da Penha!!!!", que era a sua maneira de se expressar quando tomava um susto. Ao ler esta matéria sobre o Banco do Brasil, a comprovar a influência da linguagem na formação de minha/nossa própria maneira de usar a língua, também sou compelida a dar meu gritinho religioso: "Virgem Santa!" (O VIRGEM é meio bandeiroso, bem sei, aí já fruto de influências da fase adolescente de "meu hímen incólume por um casamento de véu e grinalda!"). Nota de rodapé: só em ler isso, a vontade é mesmo de gritar "Virgem Santa, que asneira!"
Mas, o impulso é mesmo o de apelar por algum santo milagreiro que possa nos acudir diante da tragédia iminente. O Banco do Brasil sendo destruído? A vitória dos bancos privados? Deus meu: pelo andar da carruagem, o que os ricos do Planeta vão fazer sozinhos? Vai ser tudo mecanizado... e eles farão o quê?





BERLINDA POLÍTICA
(Escrito em 21/11/2016)
Um diz que se Garotinho fosse inocente teria galhardia e não espernearia como esperneou, covardemente, na maca. Outro vem e diz que se aquele espetáculo fosse honesto, se fosse assim, a altivez do Eduardo Cunha não se faria, pois ele esteve aparentando a maior tranquilidade sendo conduzido pelos policiais. Vem um terceiro e diz que não é nada disso: que o cara esperneia porque estava totalmente incrédulo e nunca imaginou que o seu poder desabaria. Um quarto chega e diz que a tranquilidade não tem nada a ver com dignidade, pelo contrário, é a prova cabal de que o larápio sabe que será solto logo, logo e que seus dinheiros tantos os tirarão daquela dificuldade momentânea. Aí vem um quinto e arremata:
- "Ô pixotada, meninos e meninas, deixem de especular sobre o outro. Deem adeus às certezas. Tudo é possível e nada é uma coisa só. Deixem de lado essas baboseiras. Enquanto vocês se distraem com todo este espetáculo, a realidade caminha a passos largos para algo com cheiro, cor, som e gosto de barbárie... Mais vale reunir os amigos e os nem tanto (os que têm afinidade de querer um mundo menos doentio) para debater, olhos nos olhos, a parte que nos cabe neste latifúndio, pois o mundo  está descarrilando..."





PENSAMENTO CRÍTICO OU RENDIÇÃO
                                                      (Escrito em 17/11/2016)
(para uma conversa com amigos)
É bem verdade que os acontecimentos não devem ser aceitos sem questionamentos. Bem sei: nada é apenas o que aparenta ser. Mais ainda: é só buscarmos autores filiados a uma concepção histórico-crítica de construção do conhecimento que eles lá estarão a nos ensinar que algo pode haver subjacente àquilo que parece ser usual, natural, corriqueiro. Desconfiar, então, é prática do bem viver para não idealizar nem imaginar irrealidades e incompletudes. Esse é um método. Método que muitos de nós busca exercitar, que envolve a dialética e a busca da unidade entre a aparência e a essência.Tudo bem.
Mas, convenhamos, algo anda mudando e me intrigando deveras, em função das atuais circunstâncias, em se tratando da política nacional, já que o alcance e o volume das possibilidades de engodo tornaram-se descomunais. O que nos contarem de improbidade, corrupção e afins, em princípio, é recebido como uma verdade nua e crua. Estamos aportando a um modo extremado - conclusivo, derradeiro, inescapável - em nossa tentativa de olharmos criticamente as circunstâncias que se sucedem.
Ajudem-me a ver: é como se o olhar reflexivo não fosse para superar a aparência, mas para desmontá-la por inteiro. É como se estivéssemos acuados, num fim de linha, de encontro a um muro intransponível, sem saída, em estado de irrestrita desconfiança em relação a tudo. Tudo que sucede, em princípio, pode ser o seu oposto, pode não ser NADA daquilo que aparenta. Explico: para estarmos com nosso senso crítico aguçado, nada que venha a suceder não deve apenas ser complementado com um conhecimento mais aprofundado e amplo. A essência não é apenas uma outra dimensão a ser articulada com o que se constata de seu exterior formando uma unidade a traduzir uma realidade concreta. Não! A realidade visível seria de todo falsa. A “verdade” é o que ela esconde. É como se estivéssemos pondo abaixo o diálogo entre o que é o que aparenta ser. Como se estivéssemos acatando o rompimento de vínculos entre objetividade e subjetividade.
Por que tais elucubrações? Por nada além do que eu mesma penso e do que ando lendo aqui – diante da prisão de Garotinho e Cabral, cá estamos, muitos de nós, intrigados, querendo entender, mais do que indícios do que parece ser, o que ela não é. Temo, de verdade, estarmos reféns de um modo de ver e entender os fatos que nos aprisiona.


SOU, MAS QUEM NÃO É?
(Escrito em 14/11/2014)
Ando invocada com uma situação que me coloca, se não como a mais pretensiosa das criaturas, como uma das candidatas mais sérias ao título. É que cismei que, como maneira de dar conta de minha vasculhação interior - que, diga-se de passagem, é um misto de doce amargura e de amarga doçura -,escrever vem sendo a receita certa para refazer tecidos, carnes e outras partes, tudo lá de dentro, de todo tipo de textura e consistência. Transformada numa prática interminável e em níveis cada vez mais aprofundados de localização de vestígios e descosturas -, a escrita de coisas e mais coisas que se abastecem de minha cotidianidade tem sido a minha mais nova paixão, a única que substituiu a anterior, que era de gente pra gente e não intracorpórea.
Mas, o estranho e o que poderia caracterizar minha porção pretensiosa que anunciei ali atrás não se liga a essa minha mais nova e deliciosa paixão. O que me faz questionar-me a mim mesma - e neste espaço público ao infinito - é justamente o fato do lugar de meus expurgos ser este aqui, com certeza, à primeira vista, pelo menos, mais público do que o usual. Aí é que vem o xix da questão: tenho a pretensão de, num mundo onde nem sempre é dada oportunidade para as pessoas se perceberem com maior nitidez, muitas vezes enganando-se a si próprias, mesmo sem a menor intenção, quanto às suas formas de ser e agir (em geral, a contradição, a maldade, a birra ou os equívocos estão no OUTRO, não em si próprias), tenho a pretensão de, expondo minhas mazelas, ajudar os demais a se olharem com mais senso. E, caminharem adiante em função de suas releituras, como eu própria faço em relação às escritas de que me sirvo sobre o meu percurso... Isso é o pretensioso. Isso é que talvez fosse dispensável. Mas quem disse que dele consigo abrir mão? Vejo-me acometida de uma imperiosa ordem interior de entender que, falando de mim, possa educar pelo exemplo. Pretensão da grossa mesmo! Só não me sinto de todo num pedestal, pois a forma de fazer a pretensa ação educativa custa-me postar-me numa posição de humildade de quem aponta a si própria, escarafuncha suas próprias dores, falando de suas penas e inseguranças. Assim é que, feito esse acordo interior, tranquilizo-me, considero o jogo como que empatado, abastecendo-me da necessária tranquilidade para seguir adiante. Colocando em cena a humildade, a pretensão pode vir a público sem que muitos dedos em riste surjam em minha direção (Espero!).
Feito todo esse preâmbulo justificatório, anuncio a mazela do dia, para que reflitam sobre ela. É que acabo de fazer o seguro do carro, como a cada ano sucede, ininterruptamente. O corretor me apresenta uma nova seguradora e eu, mesmo considerando sua opinião, sinto-me insegura. Aceito, pago, mas com um certo desconforto interior. Jogo feito totalmente no escuro. Pois acreditem, senhores: sabem quanto me vi numa situação mais relaxada quanto ao fato de ter feito uma boa escolha? Não duvidem! Foi ontem, quando vi, pela TV GLOBO, o anúncio da tal seguradora sobre a qual, nunca tinha ouvido falar antes.
Não tinha como não repartir esse fato aparentemente pouco valorizável. E não tinha por uma razão bastante simples: por ser ele revelador do tanto que somos formados pela mídia que nos circunda e invade nossas formas de pensar. Sem ser pretenciosa, mas, se, mesmo eu, dedicada, anos a fios, a estudar a nossa conformação à influência do que nos ensinam os chamados "mass media", vi-me diante de tamanha contradição, que dirá quem estuda outras áreas? Ou todos aqueles que pouco estudam, entregues que estão a obter o seu sustento diário nesta tão penalizadora e injusta sociedade?
Autocrítica é, assim, atitude a ser vivida por todos nós. Não nos enganemos! Ou será bem pior!


Leandro Konder em meu mural de fotos na estante

LEANDRO
A admiração sempre foi tanta que mantenho sua foto colada do lado da estante, compondo o mural de imagens de quem quero ter por perto. Nem é preciso olhar sempre, é estar ali, junto com o antigo terapeuta, com papai, com a amiga de infância, com os argentinos a quem reverencio - o pai de meus filhos e o especialíssimo Francisco - e mais umas tantas pessoas que gosto que componham o meu cenário cotidiano.
Leandro, pra mim, pelo menos, vida eterna é isto: é continuar a ter você vivo, como perene referência para nos recordar que podemos ir além, sem desistirmos de um mundo solidário e humanizado. Você continuará conosco, como pessoa totalmente indispensável, pelo que emana de suavidade de sua imagem em foto e de consistência de sua vasta obra.
Hoje é dia de escarafunchar gavetas para reencontrar seus artigos, com certeza, amarelados pelo tempo e repleto de meus grifos, sempre feitos a lápis, para me recordar do que não deve ser deixado de lado, na feitura incessante de minha humanidade.
Obrigada por tudo e um abraço apertado para Cristina.
DO LADO DE CÁ
(Escrito em 13/11/2016)
Contrastando com a chuva lá de fora, um sol luminoso esparge futuro - de dentro de mim para o mundo todo: nossos meninos e meninas estão acendendo a vida de maneira candente, promissora, alcançando e aquecendo cada qual em suas necessidades. Vamos ouvi-los e dar-lhes o apoio fraterno e firme de que necessitam. Estejamos com eles!
Se sobre eles pouco somos informados, cavemos informações sobre a luta que empreendem. Não é porque não a vemos nem nos contam sobre ela que ela não existe. Ela está viva, renhida, ampla.
Nossos algozes não passarão! A luz da juventude - aqui incluída a da parcela de pessoas maduras jovens de espírito, por suposto - é intensa e tem bons efeitos para todos nós. Sirvamo-nos de esperança e de LUTA à vontade!