terça-feira, 24 de janeiro de 2017

OBRIGADA, TRUMP!!
(24/01/2017)

(Para quem viu o porta-voz de TRUMP dizer que, diante de fatos que lhe contrariem, devem ser buscados fatos alternativos. E para quem não soube disso, procure saber. É básico ter tal informação. Sem ela não se entende o mundo de hoje)

Por mais incrível e assustador que pareça, trata-se do seguinte (no entendimento do presidente dos EUA): se a vida não lhe agrada, mude-se a vida. Explicando melhor: se o que se diz da vida não lhe agrada, invente-se outro discurso sobre o que foi dito sobre ela Mais explicadinho ainda: sobre a vida, pode-se inventar versões sobre o que durante o seu desenrolar aconteceu.  

Para Trump existe o fato e existe o fato alternativo.

Mais ou menos assim: houve um jogo. O Flamengo ganhou na raça - FATO NOTÓRIO. O jornal torce pelo Vasco? No problem! Ele cria um OUTRO fato: o Flamengo ganhou por conta de um pênalti mal marcado - FATO ALTERNATIVO.. Simples. Se você é da imprensa, cumpra seu papel: crie a vida. Invente. Tente. Faça algo diferente! E isso, no campo do esporte... imaginemos na política, na ação que engendra o cotidiano de uma nação..

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O cara que hoje ocupa a cadeira vista como a mais poderosa do Planeta, ter um assistente que entende que diante dos fatos, existem fatos alternativos, é uma aula de primeiros socorros quanto à nossa sobrevivência cívica. Aula a que não podemos faltar!!!!! Sem ela não entendemos o mundo e o que nos fazem pensar sobre ele.

VIVA TRUMP! Quero novas lições, grande líder!!!!!!!!!!!
ARGH!!!!!

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OBTUSA!
REINCIDENTE NUM MESMO ERRO!
REPETIDORA DE ASNICE!
...
(24/01/2017)
Nada disso! O título é mais simples: gulosa. Apenas essa palavrinha resume tudo: gulosa. Ela mesma, a que se deriva da que nomeia um dos sete pecados capitais, o que me põe a nocaute.
Por que não aprendo? Parece coisa de praga que me rogaram. Coisa de alguma “madrinha” malvada que andou me visitando ainda nos tempos em que meu quarto era aquele, pequenininho, do lado do de papai (em tempos em que ainda era de papai e mamãe – o quarto do bebê da vez)? Terá sido ela que me faz desprezar qualquer bom senso para depois sofrer como estou agora, aqui, em estado de lamentável remorso?
Não importa a origem desta minha incapacidade que insiste em me visitar. O fato é que estou aqui me retorcendo de arrependimento. Coisa de perder tempo pensando na besteira que fiz. Pior do que me lembrar de quando abandonei o homem amado e o danado, da terceira vez, nunca mais me perdoou... (Pior não é não... só falo para construir o texto do jeito que me apetece...) Apetece, veja só... tudo passa pelo paladar....
Eis o fato – corriqueiro – que me põe a lamentar meu próprio comportamento – desprezível: POR QUE NÃO DEIXEI – UMAZINHA QUE FOSSE –  DAS EMPANADAS QUE MEU FILHO FEZ ONTEM PRO LANCHE E DEVOREI TODAS, TODINHAS, E AGORA NÃO TENHO NEM UMA PARA O MEU CAFÉ DA MANHÃ??????????????????
Sou mesmo uma fraca!
OBTUSA!
REINCIDENTE NUM MESMO ERRO!
REPETIDORA DE ASNICE!
GULOSA MESMO! E PRONTO ACABOU ...
Oh, santa protetora dos fracos diante de uma delícia, protegei-me!



segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

PINTAR A VIDA DE CINZA
(Escrito em 23/01/2017)
Coitados de nós! Ando com muita pena de todos nós, humanos. Americanos, em particular, como estamos decadentes! Brasileiros, então, ai, que dó! Estamos num país em que se brinca de fazer coisa séria. Ou se faz coisa séria como se fosse brincadeira. Não podemos nos dar o direito de afrouxar o olhar hora nenhuma nem em qualquer direção.  É só virarmos a cabeça prum canto e deixar de olhar o outro que dali virá algo que nos contraria, nos entristece, nos faz menores.
É como me sinto. Fui olhar para a nomeação de um torturador pelo Crivella e pronto: lá vem o prefeito de SP com uma das suas...  Eles são ágeis para fazerem merda. Parece que dormem com o capeta e amanhecem a querer fazer alguma coisa para contrariar os valores mais saudáveis e democráticos que deveriam nos governar. Esta do empresário João Dória pintar murais e grafites da cidade de SP (cidade que não tem mar, diga-se de passagem, um embelezador natural do espaço urbano),  e pintar de cinza, silenciando a voz da cidade, as cores dos artistas, a  leveza que traz ao ambiente urbano esse tipo de intervenção foi de amargar!
Não é preciso muito raciocínio. É rasa a constatação do que pretende o higienizador de paredes, Seu gesto é às claras. Nada exige de interpretações mais rebuscadas ou passíveis de elucubrações muito abaixo da epiderme. Restaurar, partir do que está, aperfeiçoar... nada disso parece estar posto. Apagar, calar, desconsiderar, deixar o nada no lugar do que trazia vida – essa, sim, parece ser a intenção. Que que é isso,minha gente? Pra que isso, meus amigos? Falta do que fazer??????????????
Coitados de nós. O cidadão amanhece e vai pro trabalho e encontra uma parede cinza à sua frente. Limpa.
Mas, não se engane, prefeito! Isso não muda a essência das coisas! Apenas mostra a arbitrariedade de seu gesto. Dá visibilidade aos valores que conduzem sua ação. Escancara o que você parece entender quanto a prioridades, estética, autoria, arte, essas pequenas bases que norteiam o cotidiano de um administrador. E que, como sustentáculos da ação humana que você empreende, se são feitas de um jeito, poderiam ser levadas a efeito de outro, bem diferente.
Imagino que nosso educador maior – Paulo Freire –, que já foi secretário de educação de sua cidade, com certeza veria em seu gesto aquilo que ele mostrava em relação ao setor educacional  e indagaria: a favor de que e de quem governa, prefeito? E contra quem e contra quê?
Estamos ficando imunes a surpresas. O que virá por aí? O Cristo com uma faixa iluminada recomendando que o dízimo seja pago nas agências da Igreja Universal? Ou o Ibirapuera trazendo uma grande exposição das indumentárias usadas pela família Trump no dia da posse?
Um dia eu ainda acabo entrando no rol dos que tomam tarja preta para dormir...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017


MODUS VIVENDI
(Escrito em 20/01/2017)
Eu sei que não virá. Como sabia ontem quando tampouco veio. De maneira idêntica aos dias de antes em que nunca veio. Amanhã não trairei meu hábito e também esperarei mesmo não vindo. Não virá, nunca virá, não é pra vir, não, mesmo, mas sou toda espera. E esperarei indefinidamente, até o dia em que me esquecer o significado do que seja esperar. Se é que virá... E explico bem: não esquecer quem eu espero, reafirmo com todas as letras de minha espera, pois que o objeto de minha espera é como que uma tatuagem cravada no coração e dela não me livro nem me livrarei jamais. Por ela acordo, abro os olhos, vivo o dia. E o faço, vivendo o que não é espera para dar conta do que de fato me move, me justifica e me sustenta. E, com todo o esmero e zelo, me visto de espera. 

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(escrito em 19/01/2017) 
O NOME DAS COISAS















No interior da barraca, de porta aberta, Tom viu as latas de óleo, havia só duas latas, e um balcão em que havia um prato com açúcar-cande quase estragado e barras  de alcaçuz, também muito velhas e cobertas de poeira, e cigarros.
(Trecho do livro "As Vinhas da Ira" cap. XII, de John Steinbeck).

Ler nos leva a caminhos totalmente surpreendentes, insuspeitos, inimagináveis. Ler, trato logo de explicar, lendo com olhos, mente e coração de braços abertos para entender, para interpretar, para avançar no corpo e na alma do que é lido.
Eu já li, por exemplo, de Roberto Pompeu de Toledo, até falsamente atribuída ao imortal Drummond, a indagação sobre quem teve a ideia de repartir o tempo em fatias, ideia sempre revisitada por ocasião das ilusões (permitam-me!) de final de ano e trocada à exaustão entre conhecidos e amigos, em seus ditos realimentadores de ânimo sempre que o tempo troca de roupa, a cada 365 dias, ao menos na aparência.
Agora, sou apresentada a uma palavra totalmente desconhecida para mim. Palavra bonita. Sedutora. Talvez até por sua invulgaridade, eu que sou de um mundo em que o diferente logo chama a atenção. Palavra esquisita. Daqui não é. Tem jeito de andarilha, de ter vindo de bandas d’além. A palavra é ALCAÇUZ.
De onde terá saído? O que será?  Antes de nomear o local onde se inaugura a era da barbárie mais candente, o que era? Aos meus ouvidos, Alcaçuz soou como um nome poético, quem sabe de origem árabe, o AL me convida a conjecturar assim, distante dos sons mais comuns com que convivo e que tenha algum sentido aos meus ouvidos brasileiros, lá do interior da terra do cabrunco.
E eu quero ler. Quero, necessito, tentarei. E ler daquele jeito como falei dijaojinha, daquele jeito que entra e sai da leitura no gozo da descoberta, do encontro, do trabalho com as palavras. E fui atrás de sua história, do seu significado, da sua origem. Não ousava nada muito profundo, nenhuma pesquisa de especialista, nada disso, apenas querendo me situar. Cidadania viva. Aliás, não consigo dar conta de nenhum tema sem olhar nos olhos de seu nome. É um começo pelo qual me afeiçoei enquanto vim cruzando os caminhos desta vida. Não foi assim que fui atrás de meu nome e descobri o verbo carmear, que congrega a ação de desfazer nós? Pois é...
E o que é ALCAÇUZ?
Espanto! Quase susto!
Alcaçuz é uma leguminosa, originária da Europa e da Ásia, cuja parte mais usada é a sua raiz adocicada, rica em glicirrizina, com diversificado uso na medicina natural. Produz adrenalina e auxilia no tratamento de úlceras de estômago, tosses, amigdalite, rouquidão, feridas e furúnculos; em bochechos cura inflamações bucais e combate aftas; combate conjuntivite aguda; indicada para ações para conforto do aparelho gastrointestinal, até mesmo contra refluxos; eficaz para os músculos e articulações e contra artrite reumatoide; há indícios de que combata cáries e recupera o doente de esgotamento crônico e até mesmo do cansaço da menopausa. Suprime a secreção do antígeno do vírus da hepatite em pacientes infectados. Combate virores, dentre elas o HIV, a Hepatite C e o herpes.
Planta selvagem, é alvo de estudos publicados de vários autores sobre sua ação antiviral, é usada na fabricação pastas, licores e até xaropes para as confeitarias, sua forma é de um arbusto, com floração garantida todo ano, sendo suas flores de um róseo arroxeado, em cachos, e seu fruto uma vagem alongada, cada qual contendo de 3 a 5 sementes marrons, prontas para perpetuar a espécie. Cresce naturalmente em lugares planos e secos, bem como em solo arenoso das bacias dos rios.
O seu uso de forma medicinal é um dos mais antigos registrados, chegando até a ter sido relatado pelos egípcios antigos em seus papiros e tendo tido suas virtudes apontada também pelos gregos.

Li e reli. Comparei e analisei. Juntei fragmentos e raciocinei. Por agora – com certeza outras inquietações virão adiante – particularmente chamou-me a atenção a capacidade da Alcaçuz trazer aos humanos uma maior facilidade de acesso ao ar que nos garante a vida. Sim, recomenda-se com destaque o seu uso para bronquite e asma. Veja só: coisa de dar vida, de trazer conforto. De abrir pulmões ao mundo. Nada a ver com morte e encerramento do ciclo de absorção do oxigênio, este mesmo que nos coloca de pé e sem o qual fenecemos.
No Brasil, Alcaçuz é nome de um presídio, situado no Rio Grande do Norte, inaugurado, em 1998, na gestão de Garibaldi Filho. É um dos locais onde nos últimos dias se inaugurou uma nova indústria, a de matar presidiários de maneira trágica, desapiedada, covarde, animalesca.
Aí, comovida e vivenciando dúvida similar à do escritor que se perguntou sobre quem teve a ideia de dividir o tempo em fatias, eu também indago aflita: quem teve a ideia de nomear um presídio com nome de uma planta tão generosa, tão pronta para facilitar a vida, tão à mercê de um uso humanitário tão amplo? O que há que ligue uma coisa a outra? Quais nexos entre a planta e o presídio?
Vou ter que estudar mais. Foi muito pouco. Incipientes as informações. A grandiosidade da planta não parece combinar com um local de aprisionamento, infelicidade e, mais recentemente, barbárie. Vou adiante e conto com o mundo em meu auxílio. Os nomes, ao nomear, encaminham configurações, entendimentos, possibilidades e impedimentos, não absolutos, mas reais.
E isso tudo na terra do grande e inesquecível Moacyr de Góes, o que amplia a beleza da planta e torna ainda mais fúnebre o destino que dão à planta feita nome de um local de morte e horrores.







domingo, 15 de janeiro de 2017

INCETO

(escrito em 15/01/2017 após receber uma correspondência oficial de um especialista, pós-graduado onde se lia a palavra inseto assim grafada, com c)

Já não sei mais classificar que bicho é este. No máximo, espichando minhas possibilidades, faço suposições. Dou trelas – e bem coesas e bem segmentadas –  à imaginação. Rememoro até idas à roça, espaço mais habitual de serem encontrados estes seres raros, para ver se descubro do que se trata. Mas, nada! Inseto com c? INCETO? Não, não mesmo, nada me ocorre!

E dou de ponderar: se aqueles outros, comunzinhos, grafados com a letra oficialmente recomendada (o esse, todo bonito cheio de curvas ) – abelha, zangão, formiga e que tais – são pequeninos, e mesmo assim muitos deles nos aterrorizam, esse novo – o do c da barriga aberta – deve ser assustadoríssimo.

Desconhecido, sua periculosidade se amplia. Verdade. Li uma vez, e agora me serve, que a força dos fantasmas está justamente em sua irrealidade. Ui, que horror! Nem quero pensar nisso, pois o medo se avoluma em proporções geométricas.

Mas, sigo atormentada. Que danado de bicho será esse? Imagino tenha sido descoberto enquanto eu envelhecia e pensava em política e nem me dei conta. É o de sempre, o trivial simples: eu sempre fora do tom...

Quantas patas terá? O fato de ter grafia tão inusitada ampliará em quanto as suas dimensões físicas?Terá surgido das águas fétidas da Samarco? A peçonha mata ou sucumbe a alguma vacina? Tem a ver com a febre amarela que começam a anunciar como próximo mal a nos acometer? Dúvidas, muitas dúvidas...

Antes que me enterre viva de pavor, vou é tomar um banho frio que o calor é assustador e, em seguida, me servir de uma boa taça de espumante gelado para aquietar o meu coração. Essa conversa fiada que teço não me serve pra nada. Apenas me desvia do essencial da vida – meu almoço de amanhã. E eu que escrevo tão direitinho...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

PEQUENOS SINTOMAS DE QUE ATOS FALHOS MERECEM SER CONSIDERADOS PARA APRENDERMOS COM ELES

(9/01/2017)

Enfrento, hoje em dia, o mais pleno processo de bipolaridade: ou rio - do mundo e, muito especialmente, de mim; ou me irrito com tanta asneira explícita que anda solta por aí, a olhos vistos, sem as pessoas nem se darem conta do que andam expondo de si; ou sigo à onda do tudo junto e misturado e contemplo as duas coisas: diante de alguma barbaridade(assim considerada por mim), dou uma boa risada, esteja eu onde estiver, e faço acompanhar a minha explosão humorístico-nervosa, da mais profunda perplexidade pelo caminhar da rota e de seus transeuntes...

Tanto é assim que, só num relance, me lembro das seguintes ações que tive ao meu alcance e diante das quais me embolei entre riso e susto:

Escracho 1 - O marido está com doença gravíssima podendo até morrer em pouco tempo, e a mulher - servidora pública - lamenta, como a pior situação do ano que passou, o fato de ter ficado sem pagamento. Que casamento, hein? será que segue a tal lógica do "sou infeliz, mas tenho marido?"

Escracho 2 - A coordenadora explica que haverá um "treinamento" na escola mas que os professores nem precisam se preocupar em participar, é apenas para cumprir uma exigência do órgão de Educação. Está, pois, autorizado o vale-tudo na escola em termos de dissimulação e engodo. Eita educação séria!!!

Escracho 3 - Uma educadora organiza um calendário escolar e ilustra os dias letivos com a imagem de um bonequinho sério, inexpressivo, e os finais de semana com outro, feliz da vida, riso tomando a cara toda, de orelha a orelha. Se ela entende que só longe da escola se tem alegria, que dirá a pobre criança?

Escracho 4 - A mãe diz para a professora que o seu filho gosta mesmo é da hora do recreio. A professora concorda e entende, dizendo que "o recreio é legal mesmo, porque as crianças se soltam e se divertem". Pera aí: a sala de aula não é atraente, não propicia desafios, não é estimulante? E é assim mesmo que deve permanecer?