sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

PALAVRAS REVISTAS

(2/2/2016)
Recebo a mensagem ... 

BREVES LIÇÕES DE GRAMÁTICA - "ANTES DE SER PLURAL APRENDA A SER SINGULAR. QUANDO O CÉREBRO DIZ QUE É PONTO FINAL NÃO DEIXE O CORAÇÃO USAR VÍRGULA." ZACK MAGIEZI



... e penso com os meus botões:
como fazer-me um sujeito simples se tantos complementos me complexificam? 
Como ser sujeito da oração de minha vida se há tantas e diversificadas circunstâncias a adverbiar modos, tempos, afirmações e negações na composição de cada parágrafo aglutinador das vivências que se entrelaçam dia após dia?
Por certo é mais factível gramaticar com as palavras e conceitos do que viver a vida, ela mesma, em atos, ela mesma, que poderá - ou não - ser narrada ao mundo...


QUEM ATIRA A PRIMEIRA PEDRA?
31/01/2014

Não vou mais me repetir insistindo, como faço há décadas, com o meu discurso repetitivo e professoral, espalhado aos quatro ventos, insistindo em que a escola tem por obrigação ensinar como temos nossas mentalidades formadas pela mídia. E que, à medida em que qual se descobre, em grandíssima medida, assujeitado pela influência do chamado quarto poder, é que pode partir para suas próprias escolhas, desanuviado da camada de desinformação que faz-nos sentir como donos de nossa própria vida (Oh, ilusão!), quando somos, não raras vezes, escolhidos para fazermos as escolhas que o pensamento hegemônico vêm de fora invadir os nossos próprios espíritos e induzindo-nos a lhe seguir.  

Chega desse discurso oco que, não o fosse, já teria surtido algum efeito, coisa que não vejo tão nitidamente como gostaria! Só peço que cada qual avalie o quanto fomos cumprindo o que os autores da novela que hoje se encerra determinaram.
Estou aqui justamente para me expor ao açoite alheio e humildemente me confessar, conclamando os demais para que também se submetam a este simples exame de consciência. Nada demais. Pouquíssimo esforço requer. Assumo e pronto: Walcyr Carrasco – e demais autores não explícitos do novelão - fez de mim gato e sapato. O mesmo Félix – na magistral interpretação de Mateus Solano – que me provocou náuseas e indignação no início da trama, tamanha a sua perversidade, me trouxe lágrimas aos olhos, comovidas, de verdade, quando foi expondo as razões de seus traumas de infância, até chegar ao ápice de hoje ser o mocinho que merece o final mais que feliz, cheio de afeto e de lições de generosidade, junto ao seu amor, o também adorável Nico, este, desde o começo, um amor de pessoa. Mais ingênuo que ele só eu ao fechar um negócio! (Mas isso é conversa para outra hora).

Se esta que vos fala, senhora que julga saber das coisas subjacentes ao discurso midiático, está cumprindo fielmente o riscado, que atire a primeira pedra quem não se foi deixando amoldar pelo que foi sendo tecido para mudar nossos sentimentos e compreensões, com o passar dos meses. E isso é que está visível. E o que fomos “aprendendo” quanto ao mais, desde as marcas de carro, os acessórios da moda, a linguagem, os preconceitos e tudo servido como complemento da história televisiva, até mesmo o quanto devemos ir nos esquecendo das pedras do meio da caminho? Para que ter memória?

Que sejamos generosos, sim! Que compreendamos, com amor, a história de cada qual e seus efeitos – muitas vezes trágicos – na configuração do caráter de cada um – mas para tudo tem limites.
E que venha o beijo do casal! É a Rede Globo quebrando tabus e abrindo caminhos. Ô xente! E cá entre nós: tudo tem mesmo vários lados. Nada é mesmo uma coisa só todo o tempo. E vamos em frente que atrás vem gente. Atrás, não, à frente, na segunda que vem. É Manoel Carlos que chega e mais uma vez estarei com o olho na TV para os novos "ensinamentos" que dele virão. Não gostasse tanto de onde vivo, mesmo antes do início da nova novela, já estaria introjetando mais fortemente ainda o meu sentimento de incompetência por não ter cacife para viver no Leblon. Oh, céus!






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ENQUANTO É TEMPO... VAI QUE...


(01/02/2017)

Eu inventei uma neta pra mim. Ainda não chegaram os rebentos que vêm de pedaços de mim? Sem problema. Eu espero, mas vou dando uma adiantada por aqui com filhos de uma barriga meio filha também mas que vem lá da Bahia e das Minas Gerais, sem nem sonhar com a planície goitacá ou terras patagônicas. Pois foi isto mesmo: não perdi tempo. Enquanto seu lobo não vem, à luta, companheira! Se está difícil confirmar que sou sujeito da História, historicamente falando, aqui no pessoal, sou dona do meu chão e planto o diamante que eu quiser. Sei lá quanto tempo ainda tenho por estas bandas daqui... Vamos adiantar esta avozice que eu quero é viver o amor na sua mais intensa integralidade.


Alguns plantam diamantes abaixo do chão. Nem sei bem para quê. Já perdi tempo pensando na utilidade de tal plantio e não consegui decifrá-lo. Mas que esses cultivadores de inutilidades existem, está cada vez mais público e notório. Não sei em que escola aprenderam tal asneira. Diamantes abaixo do chão... vejam que inutilidade... Deve ter sido numa aula antes ou depois daquela outra onde se ensina a banhar dinheiro vivo no mar. Tudo tão inadequado que nem sei por onde começar a lamentar tais equívocos e compreender sua finalidade.


Outros, e cá estou eu a provar, deixam-se brotar fazendo-se sementes que viram relações de amor, entendendo serem estas as pedras preciosas que trazem brilhos insuspeitáveis à alma e que devem ser cultivados pela entrega afetiva que humaniza e floresce em gestos da mais viva emoção.


Luna chegou a este mundo. Pequenina, deixava-se ficar em meu colo. Mas, quando os olhos deram de ver, não queria saber de mim e olhava-me desconfiada. Até chorava sem me querer por perto. Mas, minha paixão foi tão arrebatadora (fosse espírita entenderia por outras vias...) que me fiz daquele personagem bobinho de telenovela de quinta, que julga que seu amor basta para os dois, diante da indiferença da mocinha, e investi na conquista de minha neta, escolhida por mim como tal. Fiz de tudo em forma de artimanhas de conquista. Não gosta de mim por causa do cabelo branco? Vai um chapéu na cabeça. Não quer meu colo porque estou de cara limpa, sem problema: maquiagem completa para receber Luna. Mais o quê? Perfume? Roupa nova? O que for. À conquista.


E Luna ganhou um espaço dela aqui em casa. Ganho o coração da avó inventante de neta, o mais foi consequência: uma mesa, reformada e pintada de branco, livros, papel, tintas, um banquinho feito por mim, brinquedos improvisados, bonecas que foram de Mariana, bugigangas as mais diversas, prontinhas para virar outras coisas por nossas brincadeiras. E, óbvio: eu, inteirinha, na minha total disponibilidade quando Lu Luciana Farias Sampaio ou Zeca Zeca Azevedo anunciam que ela virá. É tomar banho e me entregar ao que iremos inventar no tempo em que estiver aqui.


No dia em que essa figurinha, ao me ver chegar junto a um grupo de pessoas queridas, e veio correndo em minha direção, na ponta dos pés, correndo, rindo incontida, eu entendi o que é a felicidade.


Vamos em frente, Luninha! Viver é alegria! Você é a minha pedra preciosa. Lapidemo-nos pelo amor! Isso vale.


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MEU NOME É RANCOR

(2/2/2017)




Na TV ligada, não há voz grave e pausada. Nem destaque especial no noticiário. Plantão permanente na porta do hospital? Que nada! Cobertura ao vivo e em cores de largo tempo? Pra quê? Por conta da saúde e anunciada morte de Marisa Letícia? Que besteira! Há outras prioridades. O Maia e o Eunício são pautas mais relevantes. “Estes, sim, são gente como a gente”, parecem deixar claro os editores dos noticiários. Cuidado na troca de assunto? Pra quê? Sem o menor respeito, pode-se passar da notícia de que os órgãos já estão sendo doados e entrar no anúncio de que se tratará de marchinhas de carnaval no programa da ex-mulher do Bonner. Está tudo certo. Quem morre não é uma dama da sociedade. Aí, sim, teria até marcha fúnebre ou algo tão enlutado quanto. Quem morre é uma empregada doméstica que ousou sair de seu lugar de origem e virar primeira-dama e – pior! – se tornar marcante mundialmente pelo tempo que contou com seu homem à frente de um governo que teve um olhar diferenciado para os desvalidos da sorte (E, olhem que o fez mordendo e assoprando, na maior conciliação com os de sempre...). O mínimo é a punição com a indiferença e a falta de cuidados. Fará falta alguma – parece ser o implícito ao fato.

Coloca um samba aí, ô contrarregra, que o carnaval está na esquina. Isso é o que conta. Já vai tarde essa presunçosa criatura que teve a audácia de ser tratada em hospital de gente rica. Mas, bem feito!, era tão pobre, tão casca grossa, que pra seu corpo parco não fizeram efeitos as mágicas da medicina privada do país. Talvez, realmente, no SUS estivesse mais entre seus pares, entre quem talvez fosse mais próximo para entender seu apoio ao marido, sua contribuição à causa da redução da desigualdade, sua postura de facear o companheiro em suas ações de luta (lá atrás, quando o PT era o PT e não esta coisa disforme de hoje que apoia de Picciani a qualquer outra “força política” destas que andam envergonhando o país e suas gentes de bem).

Não sou mais a mesma. Sou hoje uma pessoa pior do que ontem. O coração vai se entortando pro pior lado. Está mais com cara de intestino. A desilusão é a minha maior porção. Estou com medo de mim. O rancor me habita e consome.

Acabe de morrer em paz, dona Marisa! Minha voz é pouca, rouca, louca. Mas sei que não é solitária. Há gente demais, e gente de bem, a seu lado, agradecendo pelo que fez por nosso país.
Eu, particularmente, como mulher, me orgulho de ter alguns traços – poucos que sejam – que me identifiquem com uma mulher que soube amar e teve como marca o “braço dado”, a solidariedade, o estar com. Disso eu entendo um pouquinho e gosto de ter esse anteparo para me defender de uma amargura que me tome de vez.

Obrigada, minha senhora!


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AO QUE DEVE SER LOUVADO!
(3/2/2017)


Esta cena de amor explícito, envolvendo estes dois seres iluminados, há de ser uma boa inspiração para as primeiras luzes do dia que vem apeando da noite que viajou pra longe. Creio firmemente em que, por uma questão de sobrevivência menos traumática e mais aliada a bons augúrios, viver a vida exige a nossa entrega à procura de estímulos que nos façam crer em que o mundo não é necessariamente o que nos é servido como terra de egoísmo e indiferença. O rancor que por vezes nos toma precisa ser areado com especial empenho, destampando e trazendo à luz o que pode nos fazer mais humanos e solidários. Podemos escolher e nos cabe escolher. As tristezas nos visitam, as decepções nos encurralam, mas "a esperança é revolucionária" e temos que colocar nossas próprias mãos a cavar - no mundo e em suas pessoas - pequenas porções de claridade para nos impulsionar a viver com fé. Não uma fé deslocada para nenhum ser superior que nos deixe seguir passivamente aguardando suas providências. Nada de chamar por Deus ou Nossa Senhora, pegar o terço e seguir tremendo os lábios repetidamente sentadinha no sofá da sala. Deixemos Deus em paz em seus entendimentos com a Física e o Acaso, o que já é muito. Cuidemos do nosso! Essa fé não me serve. Falo de uma fé naquilo que, tanto quanto o ódio, existe por aí, espraiado como um pó magico e que nos habita, mesmo a mais cruel das criaturas. Sim, ela mesma, essa pessoa desprezível, só para ficarmos no exemplo chocante desses dias, a que desejou que o procedimento médico aplicado a Marisa desse errado e que ela morresse nas mãos do capeta, como disse a um amigo, bem jocosamente numa conversinha virtual. Custei a crer e ainda guardo um amargor descabido em meu íntimo e tento localizar lá dentro de minha alma essa mesma porção diabólica que, sendo de algum humano, também existe em mim, como sua companheira de espécie que sou. Estando em alguém, também está em mim. E eu preciso me dedicar a vasculhar as minhas partes podres para deixá-las fenecer por falta de uso. Somos isso e aquilo e eu posso investir na vida, na compaixão, na amizade. Não posso desistir dessa luta interna e do aprisionamento à ilusão de que bons somos nós e maus são os outros. Ilusão à toa, e não é a de Jonny Alf.
Grata a Luciana Farias Sampaio que registrou esse momento iluminado. Na simplicidade de uma conversa entre padrinho e afilhada, busco - e encontro - uma infindável possibilidade de aprender com o belo, o simples, a entrega, o amor.


VIVER É ALEGRIA!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

BACALHAU À MODA
  (2/2/2017)
Resultado de imagem para panela de barro com bacalhau


Eu não sei se apelo para o ditado “quem nunca comeu melado quando come se lambuza” ou se tomo pela mão a parlenda “cadê o anel que estava aqui?” para abrir esta conversa sobre meu dia de ontem, sobre uma parte dele, pelo menos. Mas, isso nada interfere no acontecido: começando a puxar o fio por uma ou por outra ponta, o marcante precede e é o trivial simples: minhas ações cotidianas que se vinculam às ações de "mulher do lar" têm em si um tipo especial de imã, em estado de alerta, para atrair irresistivelmente algo em torno para forçar o processo a dar errado, a cumprir pelo menos uma curva que lhe dificulte o caminho... Tem jeito, não: Bobeei, dancei.

Poderia dar errado numa última hipótese caso fosse uma outra pessoa a estar à frente do acontecido? Pois comigo, o inesperado – saído não sei de que antro – se anuncia e vem lépido para me abraçar, tomando as rédeas da situação, tornando o mais improvável elemento aquele que pula na minha frente, com um sorriso debochado de canto de boca, poderoso como só ele, a fazer com que o que eu pretendia construir aconteça de modo vário. Seu ar é de puro deboche, por saber que vai me levar por caminhos insuspeitos que me trarão algum prejuízo, uma surpresa esquisita, que seja. E digo vário porque sou bondosa e me esforço para abrir a cortina de meu olhar para o que parece ser o mais leve e enfeitadinho que se apresenta. Em Português correto, vário não expressa o acontecido. E foi fato mesmo, nada de fato alternativo, que pudesse ter sido criado por mim para disfarçar o que se passou. Foi despropositado. Indesejável.  Totalmente desnecessário e aporrinhante.

Coisa rara, raríssima mesmo, vesti-me de cozinheira, logo cedo, avental à frente do corpo, toda bonitinha e dei de fazer ontem um bacalhau bem bonito, à moda de Cã, fiel escudeira que cuidava da casa de minha querida Diva (Goulart). Havia ganho uma linda peça pelo Natal e ela vinha aguardando o momento de virar verdade, ser degustada a contento, como devia merecer. Já o havia dessalgado durante dois dias, como manda a boa cozinha, peguei na dispensa a minha panela de barro, a maior delas, buzuntei-a com vontade de um saboroso azeite, separei ovos, providenciei o seu cozimento, azeitonas pretas, muita cebola – das grandes para serem cortadas em rodelas e das pequenas para serem acrescidas inteiras ao molho –, um bom azeite, especiarias roubadas do armário do filho cozinhador, leite, alho em abundância, pimentões coloridos em rodelas fartas... creio que isso. Viria dali um belo e delicioso bacalhau ao leite, que, com uma pimentinha e um vinho branco, seria uma ode ao sonho.

Foram cerca de duas horas de ação cuidadosa e cheia de capricho, vivendo à vera a inspiração posta numa ação concreta de belos sabores e odores. Tudo feito a contento e com o devido carinho e zelo. Mas Marphy, o inimigo, esteve a meu lado sem que eu me desse conta. Um canalha sonso esse companheiro de empreitada. E ele nunca me deixa na mão, surge seja para o que for – seja para arrumar uma mala e me fazer esquecer o maiô quando estou a caminho de uma praia, seja para me fazer esquecer o lápis de que necessito para fazer as anotações no livro que carrego para onde for, seja no que providenciou ontem, silencioso e pérfido: a pedra de meu anel, um belo ônix todo sestavado, que eu trazia no dedo, desgarrou-se da base e sumiu ao final dos meus providenciamentos à beira do fogão. Nunca poderia mesmo supor tal mergulho. Um salto olímpico digno de medalha, por suposto.

Hoje darei com calma uma vasculhada na cozinha inteira. Mas, a dúvida está aqui no meu colo: terá sumido em meio ao caldo colorido que encharca aquelas lindas postas com as quais eu pretendo me deleitar logo mais? Terei cuidado, Murphy. Não abrirei minha mordida com a gana com que teria se tivesse sua bochecha ao meu alcance. Se ele afundou, eu o encontro. E ainda brindarei a você e à sua malignidade. Eu sou mais eu, "seu" danado! Larga do meu pé e vá dar um tilte na luz lá pelas bandas da cela do Sergio Cabral, meu santo! Ele, sim, precisa ter suas carnes aquecidas. Não meu anelzinho de estimação...