segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Minha delação
18/9/2017 
Resolvi falar. Agora, tudo ficará explicado. Tenho comigo a explicação-síntese que será capaz de colocar o pingo nos is neste caos político-entregista que tem devastado o Brasil. Para este nefasto estado de espanto em que está a política nacional,  a explicação é apenas uma. E quem a tem sou eu. Venho, pois, colaborar com meu país para ver se ainda tem jeito o desacerto que está nos fazendo tombar diante de quem nos aniquila.
Não me reprimo mais e a verdade é uma só: o PMDB há muito não existe. Ouviram bem? Podem gravar e chamar o Bonner: o PMDB há muito não existe. Desde que Ulisses sumiu no mar, e com ele levou “os bons costumes” de se fazer Política, tudo mudou. O grande segredo que agora revelo é que Ulisses deixou um testamento, deixando para o PT todo o seu sinistro quadro de águias de rapina. O PT teria que absorvê-los sob o risco de, não o fazendo, não assumir o poder. Assim, o PT arrebanhou todos os figurões da política pemedebista para seus quadros. A condição era o fato ficar em sigilo absoluto. Então, podem anotar: Temer é PT, Moreira é PT, Geddel é PT, Aécio é PT, Sarney e família, todos são PT, Jereissati é PT, Magalhães Neto é PT. Eliseu é PT, Blairo é PT. E por aí vai... Não sobra um, meu irmão. A própria Andrea Neves é PT. PT puro sangue, núcleo duro.  Por isso, a única prioridade é acusar e prender o LULA. O “capo” estando preso, tudo estará resolvido.  A casa vai cair e ficarão à vista, a olho nu, todos os bens que esta canalhada (do PT, vejam aí em cima!) esconde para LULA, apenas para ele. É tudo dele, das obras de arte aos euros, dos dólares às fazendas, dos imóveis no exterior às ações nas bolsas (NY, Tóquio, SP), dos títulos a prazo fixo aos bois que pastam na Amazônia. Tudo, tudo, tudo!
Quando os jornais e TVs estão correndo atrás do Lula, gastando horas de seus noticiários falando do ex-presidente, eles estão certos. É ele o dono de tudo. Todos os demais são inocentes. São marionetes, paus mandados do chefe. O Moro sabe disso. Por isso, enrola, disfarça e, heroicamente, se fixa no viúvo de dona Marisa Letícia.

Que alívio! Falei! Só não conto minha fonte. Sou protegida por nossa Constituição Cidadã.

E viva a Democracia Brasileira!
FRAGMENTO PRECIOSO
18/9/2017

Um sente a falta, doída, do seu vaso chinês, quebrado quando atravessava a sala, distraído.
Outra reclama da bolsa de couro italiano que foi cortada pelo ladrão na praça das Armas, em Lima.
A do vestido lilás não vê a hora de repor o dente perdido quando do acidente da Rua do Moinho, lá em Dores do Indaiá.
O fulano de alma cigana não se refaz da perda de ter ingressado por concurso no Banco do Brasil, o que, não fosse, poderia ter-lhe assegurado outro rumo na vida.
A filha do meio dos três irmãos se ressente e fica briguenta, ressentida, por não ter sido a primeira ou a última, o que lhe tiraria a sensação de indefinição geográfica no mundo.
A dona de casa, laboriosa e indispensável, sente-se menor e se queixa do tanto que é pouco ouvida e considerada no seio de seu lar.


Eu, cá de minha poltrona - que é um aconchego quase como o sofá da Sala de Baixo, lá da Beira Rio, em que um sem número de vezes me joguei para pensar antes de subir para dormir,  só tenho um suspiro candente, mesmo que sem nenhum som a acompanhá-lo, segredo só meu, sofrido e denso: cadê vc, meu amor?  Que falta nosso amor me faz! Lacuna é isso, o resto se repõe com dinheiros, terapias ou boa vontade.

VALE TUDO
18/09/2016
Esta música, logo na abertura de sua letra, é a que me vem à mente nesta manhã em que espio por esta janela viva que é o Facebook. Me ocorre pensar que "isto aqui, ô, ô é um pouquinho do Brasil iá, iá", entendido o nosso país como o território que simbolicamente nos contém. Isso mesmo: a nossa alma, com todas as nossas partes, com todas as nossas neuroses e com todas as demais facetas de todos os outros tipos e tonalidades que nos compõe.
Com esta minha mania arraigada de "carolinar" pelas janelas da observação do cotidiano - mesmo sabendo que a vida é uma trama mais do que bem tecida da qual só vislumbramos retalhos (só desatados, remendados e entendidos com muito esforço intelectual e emocional) - a sedução é quase irresistível de ficar interpretando as escolhas de cada qual, a começar pelas minhas, quando faço/ fazemos nossas postagens.
Imagino que uma destas boas escolas de psicanálise em atuação no eixo Rio-São Paulo, com algumas adesões (é claro!) de alguns argentinos que sempre estão em seu interior, já deve estar pensando numa especialização voltada para o que cada qual diz de si para o mundo pelas redes sociais e dos seus significados e indícios - o que se joga para fora, o que se guarda para si, e o que transita entre uma coisa e outra. E não é só: no estudo a ser feito (continuo a especular), deverá valer a análise dos meios utilizados por quem fala, as respostas que recebe - claro que não diretas - e todos os laços que se estabelecem entre as "linhas do tempo" dos personagens em estudo.
A caminho do sol que me espera, me indago se as individualidades não estão em xeque... se a aparência não está se tornando ainda mais frágil... se o VALE TUDO das exposições pessoais não está a necessitar de cuidados profissionais...
PLAY » Olha o jeito / Nas cadeiras que ela sabe dar / Olha só o remelexo que ela sabe dar
VAGALUME.COM.BR

CONVOCAÇÃO PARA ALGUNS, OS INCONFORMADOS COM A DESIGUALDADE SOCIAL

AUTORRESPOSTA AO DESABAFO DE ONTEM

LEITURA PARA QUANDO SE TIVER TEMPO (Se o tempo for curto, espere,  leia depois e RESPONDA)

Desistir nunca é a solução. Nem que se queira.  Ser persistente, renitente, insistente, teimoso, ou qualquer qualidade deste mesmo teor, é mais forte do que nós.  Olhou o mundo, entendeu o básico de sua lógica, se o inconformismo com a injustiça se instala, está posto um estado d’alma que passa a ser permanente. Não há produto que faça o milagre de apagar a incômoda descoberta. Já vi muita coisa neste mundo. Também pudera: faz 70 anos que abri meus olhos lá pela Planície, lugar, aliás, privilegiado, pelo alcance que a vista alcança para que se vejam iniquidades e mazelas sociais.

A pessoa pode mudar de lado, aí é outra coisa. Ir-se acostumando com o “charme do poder” e ir encontrando recursos, até teóricos, racionais, pragmáticos, para mudar o rumo de sua prosa e de sua trilha. Mas, para quem, mesmo com o passar dos anos, continua sentindo seu peito apertado diante da injustiça social, aí não adianta nem colocar a alma para quarar ao sol que o compromisso com uma nova ordem está lá dentro, cravado, sem desapegar por nada deste mundo. Vira parte de si. Se sem o coração não se vive, sem o compromisso com a humanização também não.

O assunto é o Brasil de hoje. Susto. Apreensão. Incertezas. Estarrecimento diante do olhar encurtado de muitas e muitas pessoas. Por outro lado, maior segurança no trato com tudo e com todos: como alguém já disse por aí, cada qual saiu do armário, não apenas no que se refere à sexualidade e gênero, mas em termos de suas convicções e entendimentos. O “jeitinho” vai se esfumaçando e vem surgindo em seu lugar uma profícua visibilidade e transparência. Cada qual, a seu jeito, vai expondo sua maneira de encarar a vida, suas curvas e encruzilhadas. As feridas estão ficando abertas e mais facilmente identificáveis. De minha parte, por mais sofrido que seja, prefiro preconceitos a olho nu do que disfarces que retardam a sua identificação.
Em se tratando da ordem constitucional, no curto prazo, só buscando parceiros para irmos encontrando possibilidades de intervenção para este momento politicamente dramático, em nosso país. Não se trata aqui de uma discussão sobre a capacidade ou não de Dilma resistir. Ou de uma convocação para avaliarmos juntos as táticas que vêm sendo empregadas para que ela e o seu partido sangrem até em 2018 a outra força conquistar novamente o poder perdido no âmbito do Executivo Nacional. Sobre isso, que cada um de nós continue a debater, estudar e encontrar seus meios de caminhar menos isoladamente.

A MINHA CONVOCAÇÃO É PARA UMA LUTA DE MÉDIO E LONGO PRAZO.  ESTOU CONVENCIDA – E OS ÚLTIMOS TEMPOS TÊM SIDO INIGUALÁVEIS QUANTO A ISSO – DE QUE  A IMPRENSA, A MÍDIA, COMO QUEIRAM, É A GRANDE RESPONSÁVEL, EM FUNÇÃO DE SEU PODER DE DISSEMINAÇÃO DE IDEIAS, PELAS DISTORÇÕES QUE SE ESPALHAM EM CADA CANTO DO PAÍS, FORMANDO MENTES PRECONCEITUOSAS, COM VISÕES SEGMENTADAS, PARCIAIS, DISTORCIDAS IDEOLOGICAMENTE, QUE LEVAM AS PESSOAS A REPETIREM DISCURSOS CONTRA SI PRÓPRIAS, SEM QUE AO MENOS SAIBAM COMO ESTÃO SE AUTODESTRUINDO INDIVIDUAL E COLETIVAMENTE.

Hegel, lembrado por Botton (2015), já dizia que a modernização das sociedades chega “quando o noticiário passa ocupar o lugar da religião como fonte de orientação e de referência de autoridade” (p.11). É esse nitidamente o nosso caso, não?

Mas, não basta continuarmos todos falando mal da mídia, responsabilizando-a, sem que nos eduquemos para identificar sua forma de agir e tomarmos para nós a ação de debater um método de ler criticamente a mídia.

Apontar a responsabilidade da mídia na formação das consciências e das nossas subjetividades é MUITO POUCO, se ficarmos apenas no discurso a esse respeito, sem uma ação que fure essa bolha. Poderosa e dilacerante bolha.

O assunto é grave e precisamos estudá-lo. Em termos de futuro, entendo que é a nossa ação sistemática, com base em estudos concretos a respeito  dos meandros da mídia e de como ela atua que pode trazer a chamada leitura crítica e o reencontro do sujeito consigo próprio, com uma maneira de ser e de agir que não seja deturpada e forjada por quem tem interesse na manutenção da desigualdade, da injustiça e da humanização.
Mais doído que ver os poderosos criarem discursos e os espalharem por seus diversos meios, é ver a absorção desses discursos pelos que sofrem a ação mais doída da sociedade desigual em que se inserem. É o cordeiro justificando por quais motivos e meios ele deve ser devorado pelo lobo.
Se alguém concordar com o que digo, proponho que se manifestem. A ideia é formarmos um grupo de estudos voltado para a mídia e sua forma de ser (Presencial? Virtual?) e possamos levar para outros espaços – escolas, sindicatos, empresas, ONGs, ... – formas de leitura da mídia, de maneira a construirmos juntos instrumentos de resistência e de combate à sua força indutora de um pensamento hegemônico aprisionado ao jeito de ser da sociedade atual – perversa e alienante.

Vamos conversar? O que dizem?

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

SEMPRE ELE, MEU RISO...
13/9/2017
Componente 1 da historinha de hoje – O VIZINHO - Tenho um vizinho que é um entojo. É do tipo que não deve ter o que fazer a partir de sua própria vida interior e tome de estar atento ao que vai na casa dos outros. Cria problemas com todos. Já o pegamos até fotografando nossa casa, tem horror a cães, a passarinhos, a tudo que este nosso ambiente silvestre e recôndito nos coloca à mesa a cada manhã. É um vigia da vida alheia. Esconde-se e observa. Um doente, realmente detestável. Diria uma destas minhas conhecidas bem religiosas: "Só Deus na causa" para aguentá-lo. Eu, de minha parte, já o entreguei à minha parcela de desagradabilidades com que tenho que conviver nesta minha vida aqui na terra. Nada é perfeito neste canto abençoado da natureza. Dou de ombros e vou adiante...

Componente 2 da historinha de hoje – O GALÃO - Temos um galão daqueles enormes, foi comprado por meu filho e  pintado e ressignificado, ganhou uma nova função, uma muito interessante mesa de apoio, estando lá fora como peça de decoração sob o telheiro. O galão é bem bonito e nós todos gostamos de tê-lo ali no canto da parte coberta em que nos protegemos em horas de boas conversas e fugas do sol. Mas a nossa peça de decoração, sabe-se lá por qual motivo, guarda um segredo com o qual nos acostumamos a conviver: vez por outra, nem desconfio do motivo, ele faz um barulho de gongo, sem hora para ser emitido e que no começo até nos assustava um pouco, quando ele morava aqui dentro de casa. Não é um barulho alto, mas é marcante e, sendo sempre inesperado, guarda um mistério quando se anuncia.

Componente 3 da historinha de hoje – EU - Tenho a minha conhecida mania de juntar coisas, circunstâncias, pessoas, memórias – e, se possível, rir dos efeitos da alquimia que promovo com os pensamentos que construo diante das peças da vida que comigo esbarram e que faço por encaixar. Sempre sou surpreendida com alguma nova associação diante do que vai surgindo no meu cotidiano – juntam-se inesperadamente em meu cérebro os fenômenos ou pessoas os mais desconexos e eu brinco de quebra-cabeças que, como falei, se trouxer como resultado algo para rir, melhor. Rir é uma permanente salvaguarda que conservo diante das mazelas do mundo. Dele mesmo, o vasto mundo, que anda tomando rumos bem piores do que poderíamos supor.

A HISTORINHA - No caso de hoje as peças aparentemente sem rima são o vizinho espião mais o galão. E conto já, já no que deu. Estava desde a madrugada agarrada na máquina às voltas com um extenso trabalho de revisão. De repente, não mais que de repente, o gongo do galão ecoou no ar. Poderia passar despercebido, já faz parte dos sons com os quais meus ouvidos estão acostumados sem susto nem vontade de perquirir do que se trata. Mas, não! Minha mente em busca do riso, faz e fez das suas. Estouro numa boa gargalhada, eu, sozinha, ela inesperada. É que dei de imaginar o fofoqueiro, anos a fio ouvindo a gongada do tonel sem saber do que se trata. Da casa dele não há como bisbilhotar o dito cujo, o gongador fica bem resguardado de voyers indesejáveis. A esta altura, dando asas à minha imaginação prodigiosa, penso que o sacana já até subiu em cadeiras e arvoredos, tudo para tentar descobrir a origem do barulho estranho. E vai morrer curioso. Deixe-me rir! Não é engraçado demais? Uma vingancinha imaginária. Mas, ótima! A alquimia de hoje deu riso. Final feliz!

terça-feira, 12 de setembro de 2017

ESTE TEXTO EU ESCREVI HÁ UNS 4 ANOS, EM HOMENAGEM AO NOSSO APAIXONANTE GRUPO DIJAOJINHA QUE CRIEI, JUNTO COM ROSINHA BALDAN, E QUE CRESCEU POR UM BOM TEMPO PELA PARTILHA DOS MELHORES SENTIMENTOS DE SEUS INTEGRANTES.

DEDICO-O AOS ANTIGOS "DIJAS" QUE ESTÃO AQUI NO FACE:  Afonso Luiz Da Costa Muniz, Maria Amelia Pinto Boynard, José Augusto R. Vieira, Neuza Motta Chrysostomo, Eleonora Cretton, Paulo Ney Pamplona Rabello, Luis Claudio Peixoto, Patricia Peixoto, Amarilis Gualda, Heloisa Lauriano, Luiza Sarmet, Eunice Sarmet, Gracinha Cretton, Arcinélio De Azevedo Caldas (não sei se há outros por aqui e eu não sei...).

A menina em corpo de avó

Há muitos e muitos anos, havia uma menina que queria muito que o mundo virasse uma coisa diferente do que é, sem esta de existirem duas garotinhas, uma se deliciando com um sorvete inteiro e outra sem saber o que é sorvete, e os adultos analisando que, se havia um sorvete e duas meninas, estatisticamente, cada uma havia se deliciado igualmente, a ponto de borrar a boca e a roupa toda de tanto prazer. E assim, manipulando essa matemática de sorvetes e não-sorvetes, de pessoas e não-pessoas, lá iam eles, tranquilizando suas próprias consciências enquanto ouviam sua razão dissertar para seu coração que, desde que o mundo é mundo, sorvetes não são para todos...
A menina cresceu sempre com esta mania de ver crianças provando igualmente das delícias da vida, fossem sorvetes, bonecas ou carrinhos... Adulta, sempre procurou se afastar do seu próprio lado (Ah, sim, ela também sempre teve um pedacinho dentro de si que apregoava que se a farinha é pouca, meu pirão primeiro) e se afastar dos demais adultos que pudessem achar natural esta divisão mal feita das coisas. Queria porque queria que as coisas do mundo fossem para todas as pessoas do mundo. E assim, birrenta, cresceu inconformada.
Mas a vida é sempre surpreendente e bela, apesar de todos os seus percalços e azedumes...
Vocês nem sabem e nem vão acreditar! Hoje eu me encontrei com ela, é bem verdade que já bem diferente daquela menina de antes, pois que já está uma senhora, até simpática e gorducha, mas com um olhar suave – de menina mesmo! E como gostei deste encontro! Ela ia feliz da vida pela rua e quando parei para cumprimentá-la, sabe o que ela disse? Que está convivendo com uns amigos que dá gosto de ver. Ali não tem esta lógica do cada um por si e deus por todos, não...: um manda poesia para o outro, só para alegrar suas manhãs; outro, acreditem!, sai tirando fotos por aí só para suavizar o coração dos amigos que estão distantes. É verdade, dizia, ele sai atrás, entra escondido em casa fechada, busca o melhor ângulo e fotografa, só para ver o amigo distante enternecido diante das lembranças; tem uma que também é uma danada para tirar fotos belíssimas, tira até de uma árvore que sente falta de quem está longe e anda, irrequieta por areias que se fazem movediças pela saudade. E tem mais: um fala latim, pois sabe que isso recorda bons momentos para os amigos em seus tempos de escola; esse, lembrava ela, é o mesmo que manda musiquinha para uns e outros, ela até está esperando uma pra ela (nisto continua igual, ciumenta de dar dó...); há aquele que, esperto como poucos no manuseio dos segredos da Web, faz piadas, poemas e oferece aulas, seguidas e didaticamente bem estruturadas para que todos possam, igualmente, soltar a voz nas estradas; outro, vejam!, manda letras que brilham, além de fotos de filhas e neto, entregando-se de peito aberto aos amigos; tem um que é quase um fiel e atento plantonista - à menor dúvida de quem quer que seja, sai correndo feito um doido pelo Jardim São Benedito e adjacências, vasculhando casas e redescobrindo seus antigos moradores para dar notícias sobre cada qual; tem a que não dorme e escreve coisas poliglotas e cheias de um inigualável polihumor, só para dar alegria a quem madrugar no dia seguinte; E que dizer dos voyeurs, sempre espreitando o que acontece para, quando necessário, darem seus palpites certeiros em prol da continuidade dos prazeres recordatórios do grupo? Tem de tudo, animava-se ela.
Podem acreditar: a antiga menina, hoje já meio velhota, parecia mesmo feliz da vida. Falava sozinha e sorria, é verdade. Talvez isso, a olhares menos românticos, pudesse ser indício de algum desacerto emocional. Mas isso é bobagem, eu lhes asseguro. O sorriso, eu testemunhei, era límpido, adorável. E as palavras balbuciadas, essas eu cheguei perto e pude ouvir: ela dizia que está adorando dividir sorvetes, chocolates, alcachofras, pão de queijo, rosbife, nozes, chuviscos, sonhos, vida... E seguiu pela rua com ar de muitos amigos...